domingo, 28 de agosto de 2011

Quando seu cheiro entrar de vez na minha pele


Quando seu cheiro entrar de vez na minha pele,
Vou leva-lo para passear.
Deitar em outras camas, provar de outros falos.
Para que você também prove de outras texturas, outros colchões.

Quando seu cheiro entrar de vez na minha pele,
Feito pomba-gira enfurecida vou rodopiar
Mais, mais e ainda mais
Para que ele, de uma vez por todas, se dissipe.

Quando seu cheiro entrar de vez na minha pele, vou fazer de tudo para ele sair.
Tomar banho de cachoeira, me vestir de freira, talvez de palhaço.
Quem sabe eu não o espante a base de escárnio?

Alecrim, canela, gengibre, baunilha, rosa branca.
Quando enfim seu cheiro sair de vez da minha pele,
O meu é que vai cair no mundo!



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ministro da Educação visita região da Brasilândia para anunciar programa de expansão das escolas técnicas e Universidade Federal


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Eu moro neste bairro há 25 anos e há pelo menos quatro também trabalho nele. Logo, não posso me furtar a divulgar este evento, apesar de não estar envolvida no movimento que resultou nele. Conheço quem está envolvido neste movimento, que tem consistência e a informação é quente.


O deputado estadual Simão Pedro irá acompanhar, no próximo sábado (20), a visita do Ministro da Educação, Fernando Haddad, à Comunidade Nossa Senhora de Fátima (região episcopal da Brasilândia). A convite do Bispo Dom Milton Kenan Jr, Haddad irá ouvir as demandas de sua pasta - educação, além de conversar sobre a criação de uma Universidade Pública na região Norte / Noroeste, o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e a expansão das escolas técnicas.
A expectativa é que mais de 300 pessoas das subprefeituras da Brasilândia/Freguesia do Ó, Perus/Anhaguera, Pirituba/Jaraguá e parte de Casa Verde e Cachoeirinha compareçam neste evento.
O quê: Fernando Haddad na Brasilândia
Quando: 20 de agosto (sábado)
Horário: 10h
Local: Comunidade Nossa Senhora de Fátima – Rua Rômulo Naldi, 68, Jardim Elisa Maria 



Dispensa comentários, mas eu vou fazer. Mestres, doutores, mestrandos, doutorandos, e quem mais for: isto é chance de mais emprego, mesmo que esta universidade não lhes interessem de maneira direta. Para quem mora no bairro, nem se fala: a Brasilândia é um destes lugares que o mundo esqueceu, digo o poder público. Mas para ter visibilidade, o povo tem que se manifestar! Na minha cabeça dura idealista, era para este evento estar lotado de professores que trabalham por aqui na base do giz-lousa-e-saliva todos os dias, que são ameaçados, que correm riscos de vida, que precisam conviver com o tráfico, e todas estas coisas que estamos cansados de saber. Mas já cantei a bola aqui na escola, de onde eu escrevo, e a pouquíssimas se interessaram. Será mesmo que estamos insatisfeitos? Insensato Coração e quem matou a Norma é muuuuuuuuuito mais interessante. 

Só sei que eu estarei lá. Como diria Chapolin Colorado: sigam-me os bons! 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sobre o tempo II

Enquanto a maioria ainda insiste em esticar seus cabelos para baixo com ferro quente, ela se ocupou em levantar o seu num legítimo beehive casa-de-maribondo. Enquanto uma meia-dúzia de louras-aguadas ainda insistem em poses sexy com dedinhos fake na boca;  sua cabeleira, negra e revolta, fez questão de ir na contramão. Enquanto os nossos, com iPads na mão e notícias em tempo real,  ainda desejam ser antenados com seu tempo, ela voltou aos 1950´s e se travestiu de diva da Montown. Enquanto um monte de gente ainda faz inúmeras tentativas - frouxas, ridículas e sem sucesso - de serem cada vez mais e mais  fitter, happier, more productive* (à base de academias, livros de auto-ajuda, dietas frustradas e Prozac)  tentaram faze-la ir para a reabilitação. A resposta a gente já sabe: No, no, no!





Este desejo de ser contemporâneo é mais velho que o mundo.  É o mesmo que nos faz datados, amarelados pelo tempo. Aquele que causa espanto, estranheza ao fazer com que a gente se reencontre com uma versão velha de si mesmo. (Atire o primeiro álbum de fotografias quem se viu numa foto antiga e agradeceu aos céus por não ser mais aquela imagem, que mesmo mais velho, com mais dores para contar, deu graças a Deus porque enfim o tempo passou).

No passado, quisemos ser modernos.  E agora, queremos ser o que, contemporâneos, pós-contemporâneos? E no futuro, quereremos o que? Ser uber-ultra-right-pós o que?

A passagem do tempo é outra discussão datada, literalmente. O tempo só é linear em aulas de História e Gramática, porque de resto, nunca foi.  A piada mais velha do mundo pode ser a Descoberta da América pelo Twitter para quem ainda não ouviu.

Às vezes eu me divirto sendo retrô-de-mim-mesma, como a minha volta ao chanel-curumim, ou aos óculos de Velma. Em outras feitas, o que eu mais quero é não me reconhecer em nada, atirar-se no abismo do futuro é capaz de nos proporcionar um tesão irrepreensível.  Em outras, ainda, o foco no presente é tão grande que nem sequer me lembro de toda essa bobagem. Aos 28, percebi: eu sou aquilo que eu sempre fui, o que pareço ser agora e o que eu ainda vou ser. Tudo ao mesmo tempo agora. Lembrando que o verbo ser é uma falácia. Não somos absolutamente nada, somente estamos. E tá bom demais.

Assim, voltamos às origens. Ser original é isso, afinal. A ela isto nunca faltou, uma verdadeira antítese barroca: profundamente original no seu desejo de ser retrô, contrário a todo esforço da nossa geração em se fazer original e não passar de cópia (mal feita, o que é pior). Pensa rápido: quantos ensaios de moda inspirada no estilo da Amy você já viu? Pois é, inúmeros. Todos se pretendendo Invenção da Pólvora. Todos cópia.

Sinto falta de Amy. Já sentia antes mesmo dela morrer. Ela, que quando surgiu no cenário, foi pura subversão, morreu como um arremedo tragicômico entre o que ela foi e o que poderia ter sido. Fiquei puta com ela por isso. Mas acho que ela nem estava muito aí para essas coisas, ela era de levar água para os papparazi que se aboletavam na porta de sua casa! Loucos não estão neste mundo para servir aos interesses das pessoas na sala de jantar, a não ser que isto lhes interesse. E ela, de tão louca, mais de amor por aquele babaca, do que pelas drogas em si, não percebeu a hora de tocar o foda-se outra vez e voltar a ela mesma. Se ela chegou a  perceber, foi tarde. E esta foi a triste constatação de quem assistiu aos seus shows na fase da derrocada, já havia cantado essa bola.   Sábias palavras do Rafa: A Elis morreu de overdose, mas com a voz inteira! A Amy poderia pelo menos usado as drogas certas!  Ressuscita, Amy!

Este textículo passa longe de homenagens, que é para mim o que há de mais ridículo neste mundo, sendo elas póstumas ou não. Ele é mais para dizer que lá se foi minha última heroína trágica. No último dia 23, ela se juntou ao mesmo panteão de loucas, subversivas e desajustadas como Pagu, Maysa, Frida Kahlo, Billie, Piaf. Não que eu queira me ajustar, mas não posso mais sonhar com um mundo que não existe mais, e é tão engraçado que eu tenha dito isso para o professorzinho dias antes de Amy bater a caçoleta oficialmente. Tenho sérios planos de ficar velha, e quanto mais velha eu ficar, tanto mais louca de pedra também! O tempo nos atualiza. Então, já dá pra perceber que o desejo do contemporâneo também está em mim, o que eu considero bem válido, até. É só não se levar muito a sério.

She´s reborn like Sarah Vaughan!